O Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrou em 23 de outubro de 2026 a terceira fase da Operação Cavalo de Troia, em Bauru. Um investigado suspeito de intermediar propinas na concessão de serviços públicos foi preso preventivamente.
A investigação apura possíveis crimes de corrupção e irregularidades na gestão de resíduos sólidos urbanos do município paulista. O caso também envolve suspeitas de fraude na licitação da concessão.
As diligências ocorreram em Bauru e foram conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Polícia Militar de São Paulo. A ação incluiu buscas em endereços ligados a pessoas jurídicas suspeitas de intermediar repasses.

Segundo o MPSP, a apuração alcança o processo de concessão e possíveis pagamentos indevidos. O projeto previa a gestão dos resíduos por 30 anos e foi cancelado, enquanto a investigação criminal continua.
Prisão, buscas e medidas sobre bens na terceira fase
Além das diligências, a Justiça determinou medidas assecuratórias para preservar bens e ativos dos investigados. O limite estabelecido para essas medidas é de R$ 20 milhões.
Na primeira fase da Operação Cavalo de Troia, a Justiça também autorizou mandados de busca e apreensão, prisões e bloqueios de bens e valores. Essas decisões foram tomadas no âmbito da apuração sobre suspeitas relacionadas à concessão dos serviços de resíduos sólidos em Bauru.
Somadas as três fases da operação, oito pessoas foram detidas, segundo as informações divulgadas pelo Ministério Público. As diligências desta etapa integram a investigação criminal, que continua em andamento.
Apuração sobre propinas e suspeitas na concessão de resíduos
A segunda fase da investigação se concentrou no possível braço financeiro do esquema e em pessoas suspeitas de intermediar propinas. Conforme os elementos reunidos pelos investigadores, empresas e contratos aparentemente sem causa econômica efetiva teriam sido usados para dar aparência de regularidade a repasses indiretos a agentes públicos e pessoas indicadas por eles.
Os pagamentos identificados até o momento superam R$ 4 milhões, segundo a apuração. As transferências teriam sido formalizadas por contratos, notas fiscais e descrições de serviços cuja prestação efetiva ainda é investigada.
O aprofundamento dessa frente ocorreu após a apreensão, em uma fase anterior, de uma nota fiscal emitida pela empresa que seria usada para intermediar propinas. Diligências posteriores apontaram outros pagamentos expressivos em favor da mesma empresa.
A investigação também apura suspeitas de direcionamento da licitação desde a elaboração dos estudos técnicos, pagamentos de vantagens indevidas, compartilhamento reservado de documentos e tentativas de interferência em órgãos de controle. O secretário municipal de Governo Renato Purini foi preso em 16 de outubro; a concessão previa contrato de 30 anos, estimado em R$ 5,2 bilhões, e seis investigados passaram à condição de réus. Em 23 de outubro, a prefeita Suéllen Rosim tinha depoimento previsto na Comissão Processante da Câmara Municipal, instaurada para apurar possíveis infrações político-administrativas ligadas à condução do projeto.

